
–Sabe quando você fica com vergonha pelo que o outro tá fazendo?
–Não.
–Não?
–Não.
–Sabe naquele programa do Silvio Santos que o cara se declarava para a mulher na frente das câmeras...
–Sei.
–Então. Dá a maior vergonha pelo cara. Você na sua casa, e o cara lá, se declarando para a mulher. Você não faz parte da cena, mas mesmo assim você fica com vergonha. Sabe?
–Acho que sei. Aliás, sei. Sei sim.
–Então. Isso é vergonha pelo outro.
–Entendi. E daí?
–E daí que vendo você aí, mijando, com essa cara de otário, lendo esse papel.... Tá me dando vergonha. A mesma vergonha que eu sentia quando via os caras se declarando com aquelas caras de babaca para as namoradinhas no programa do Silvio Santos.
– E você, seu mané? Acha que é muito original porque fica gastando o teu tempo escrevendo essas baboseiras pra colar em banheiro achando que vai causar alguma comoção em alguém ou, sei lá, ficar famoso? Vai fazer alguma coisa que preste, otário.
– Essa sua revolta muda só aumenta a vergonha que eu sinto.
– Cara, guarda essa vergonha de merda, esse teu texto de merda, essa sua ideiazinha de merda, essa sua pretensão de merda em fazer alguma cosa diferente e enfia naquele lugar.
– Lugar de merda é no banheiro.
– É onde você deveria estar, seu merda.
– Mas é você que está no banheiro. Então por esse raciocínio o merda é você.
– Tá. Tá. Tá bem, seu merda.
– Hein?
–Nada. Esquece.